O fim da jornada 6x1 no Brasil: o que diz a Confederação Nacional da Indústria ?
O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) fundado por Rick Azevedo, com o objetivo de acabar com a jornada 6x1 no Brasil, entrou em discussão em vários setores da sociedade a partir de meados de 2023. No Congresso Nacional, a Deputada Erika Hilton (PSOL-SP), é autora da Proposta de Emenda à Constituição 8/2025 para dar nova redação ao inciso XIII do artigo 7º da Constituição Federal, e determinar a redução da jornada de trabalho de quatro dias por semana no Brasil.
Mormente, existem vários argumentos ou fundamentos que sustentam o fim da jornada de 6x1, em que o empregado trabalha seis dias consecutivos na semana e folga um dia, sem necessariamente ser no domingo. A classe dos trabalhadores, instituições sociais e sindicados representativos defedem que o fim da escala 6x1 vai repercutir positivamente na vida social, econômica e na saúde física e mental do empregado.
Já escrevemos aqui no Blog sobre o movimento 4 Day Week no Brasil (clique para ler) que vem sendo desenvolvido com algumas empresas no Brasil a fim de executar a jornada de trabalho 4x3 sem redução de salários. Há esta altura do debate já encontramos alguns índices e pesquisas realizadas que reforçam a necessidade de acabar com a escala de 6x1 no Brasil.
Recentemente a matéria do Repórter André Martins na Exame, divulgou um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em que a instituição prevê dois cenários com o fim da escala 6x1, que é o pagamento de horas extras e a contratação de novos trabalhadores para suprir a necessidade.
A reportagem destaca que:
De acordo com a estimativa da CNI, apenas para a indústria, o aumento de despesas pode chegar a R$ 87,8 bilhões por ano no cenário de uso de horas extras ou a R$ 58,5 bilhões com novas contratações. Entre os segmentos com maior impacto estimado no cenário mais oneroso estão a indústria da construção, com alta de até 13,2% nos custos (R$ 19,4 bilhões ao ano), e a indústria de transformação, com elevação de até 11,6%.
Notadamente que os números podem ser elevados, no entanto, o que está em jogo não é o fluxo de caixa da empresa, e sim a vida dos trabalhadores do país. A jornada de trabalho extenuante tem sobrecarregado o sistema beneficiário e assistencial do Estado, a fim de asseguar as pessoas o direito a saúde do trabalhador.
Não se trata apenas de uma situação particular entre o empregado e a empresa, e sim um fator que envolve toda a sociedade. A Constituição Federal brasileira no artigo 200, incisos II e VIII atribui ao Sistema Único de Saúde a competência para: executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador, e colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
No entanto a redução da jornada de trabalho é uma luta da classe trabalhadora desde a Revolução Industrial, a fim de limitar o horário de trabalho proporcionando uma melhor qualidade de vida, preservando a dignidade da pessoa humana princípio este fundamental da República Federativa do Brasil.
Deste modo, em face dos argumentos e interesses econômicos apontados pela Confederação Nacional da Indústria, a vida humana deve prevalecer sobre o capital e a mercantilização do trabalho, para defender os trabalhadores e suas famílias que dependem diretamente do emprego.
Referências:
MARTINS, André. Escala 6x1: redução da jornada custará até R$ 267 bi para empresas, diz CNI. Exame. 2026. Disponível em: https://exame.com/economia/escala-6x1-reducao-da-jornada-custara-ate-r-267-bi-para-empresas-diz-cni/. Acesso em: 28 fev 2026.
[Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituição. Acesso em: 28 fev. 2026.

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